Lá pelo final de janeiro de 1952, os trabalhadores do Parque Nacional Lanín (San Martín de los Andes, província de Neuquén, Patagônia Argentina) deram “uma mão” solidária àqueles jovens de então, Ernesto Guevara de la Serna e Alberto Granado, na sua primeira viagem pela nossa querida América Latina.
Mais de 50 anos depois, a Associação Trabalhadores do Estado rendem homenagem ao Comandante Ernesto Che Guevara e nela a todos os nossos colegas de classe que ontem e hoje mantêm vivo o espírito solidário e a vontade de luta por uma Argentina por justiça social.
Nossa intenção, então, é a de construir um espaço de informação e difusão da ação e do pensamento do Che nos diferentes postos de luta que contaram com a sua presença apaixonada e comprometida como colega, militante, guerrilheiro e estatístico.

“O caminho serpeia entre os cerros baixos que apenas assinalam o começo da grande cordilheira e vai descendo pronunciadamente até desembocar no povo, triste e feio, mas rodeado de magníficos cerros povoados de uma vegetação frondosa. Sobre a estreita língua de 500 metros de largo por 35 quilômetros de longo que forma o lago Lacar, com seus azuis profundos e os verdes amarelados das ladeiras que morrem nele, estende-se o povo vencedor de todas as dificuldades climáticas e dos meios de transporte, o dia que foi “descoberto” como lugar de turismo e ficara assegurada sua subsistência.
O primeiro ataque contra um dispensário de Saúde Pública falhou completamente, mas nos indicaram que podíamos fazer semelhante tentativa nas dependências de Parques Nacionais, cujo prefeito passou por ai e nos deu rapidamente hospedagem num dos galpões de ferramentas da mencionada dependência. Mas pela noite chegou o sereno, um gordo de 140 quilogramas bem medido e um rosto a prova de balas, quem nos tratou com muita amabilidade, permitindo-nos cozinhar na sua biboca. Essa primeira noite a passamos perfeitamente, dormindo entre a palha da que estava provido o galpão, bem abrigados, coisa que se torna necessária nestas comarcas onde as noites são bastante frias”.
Janeiro 1952.
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Aos princípios de 1952 Guevara e Granado chegaram com fome e cansados na sua motocicleta em San Martín de los Andes.
O intendente do Parque Nacional Lanín lhes ofereceu hospedagem em um galpão destinado a guardar a grama para os animais. Em “La Pastera” encontraram casa e comida graças à generosidade dos trabalhadores do Parque, em particular, do sereno dom Pedro Olate quem os agasalhou com um asado. Após vários dias de percorrer a zona reiniciaram a viagem com destino Bariloche.
“(…) embora há momentos nos que penso com profundo anseio nas maravilhosas comarcas do nosso sul. provavelmente algum dia cansado de rodar pelo mundo volte a me instalar nesta terra argentina e então, se não como moradia definitiva, pelo menos como lugar de trânsito para outra conceição do mundo, visitarei novamente e viverei a zona dos lagos da cordilheira”.
Capítulo San Martín de los Andes.
“Notas de viagem” .
“A quinta feira 31 hospedamo-no em um galpão de Parques Nacionais. Em San Martín de los Andes. Conhecemos o intendente, que é muito nobre e muito preocupado pela conservação da flora e a fauna. Conhecemos também o sereno, que é um poema folclórico (…) Gosta da conversa e do tinto, e queria nos reter a todo custo. Dormimos ali. Ao amanhecer com uma mochila de víveres saímos para conhecer o lago Lácar (…)”
“Com Che por América do Sul”.
Prezada mamã:
(…) Após disso no meio de mil dificuldades que salvamos com a nossa costumada perícia, chegamos a San Martín de los Andes, em um lugar bonito, no meio de florestas virgens com um lago formoso; em fim há de vê-lo porque vale a pena (…) Um carinhoso abraço de seu filho que a ama.
Janeiro 1952. Ernesto Guevara.

